Na capa do livro, Los Angeles Times promete: "O melhor livro que você terá nas mãos". A expectativa é altíssima, mas logo nos primeiros parágrafos a paixão chega: avassaladora e irremediável. Pode não ser o melhor livro que você terá nas mãos, mas certamente será um deles, e numa vida de amores a livros a gente aprende que livros não são ciumentos e dá para amar vários de uma vez só. O premiado "A Visita Cruel do Tempo" será das paixões mais gostosas possíveis.
A história é dividida em treze capítulos e permeia a vida do produtor musical Bennie Salazar e de sua assistente Sasha. Não há linearidade cronológica ou narrativa: o tempo vai e volta, o narrador de cada capítulo é diferente e há capítulos em primeira, terceira e até segunda pessoa. Mas, entre as idas e vindas, a história se constrói de forma espetacular, falando não só do tempo como de música, de vida, de dramas. "Acho que o que posso dizer que mais traz foco às pessoas é que meu modelo estrutural foi o álbum conceitual dos anos 70. Algo como o Tommy ou o Quadrophenia, em que cada música parece diferente e a graça é quando essas partes diferentes se unem numa única história", diz a autora, Jennifer Egan.
O esqueleto da história toda é muitíssimo bem encaixado, e a mudança de pontos de vista narrativos, no lugar de romper a corda que une o romance, a fortalece. É uma delícia ler sobre a amizade repleta de flerte entre Sasha e seu melhor amigo, narrador em segunda pessoa de um dos melhores capítulos do livro. É maravilhoso ler sobre Bennie na adolescência, depois de já sabermos de seu sucesso como produtor musical, quando ele era só um jovem com sonhos demais, integrante de uma banda de rock fracassada. Melhor ainda porque não é ele que narra: não, é uma menina do seu grupinho na época, cuja melhor amiga teria um caso com o cara que levaria Bennie para o mundo da música. Confuso? Nem pensar. A teia de relacionamentos, sentimentos, frustrações e sucessos é complexa, mas se abre com clareza para o leitor, os muitos pontos cruzados sendo assimilados naturalmente, sem esforço. Culpa da maestria da autora.
O tempo também invade a história quase discreto, dissimulado, sem qualquer intenção, para dar uma rasteira uma ou outra vez. Cronologicamente, a história viaja num espaço de cinqüenta anos, sem qualquer ajuda de datas, números ou idades para situar o leitor. No lugar, são os relacionamentos que marcam a passagem do tempo, assim como a música e a tecnologia. A tecnologia, aliás, é outro tema que reina de forma despreocupada pelo romance - tanto que o penúltimo capítulo é composto por slides no PowerPoint, o diário moderno de uma personagem criança do futuro, algo como dez anos adiante. É fascinante também como mesmo com gráficos e fluoxogramas a autora consegue construir uma narrativa tão sólida quanto com a sua prosa incrível. No próprio capítulo a mãe da menina narradora critica o hábito de diários em slides, mandando que a filha escreva, "o que são todos esses espaços em branco?" - pois nos espaços em branco cabem dramas inteiros, o não-falado sendo tão importante quanto o que é dito de forma explícita. O capítulo é chamado "As pausas do rock'n'roll", e acaba funcionando como uma própria pausa musical no livro. No último capítulo a autora nos presenteia com um esboço curto, que facilmente pode passar despercebido, de teoria sobre engenharia social ou social media no futuro.
O livro ainda nos oferece alguns socos no estômago e reflexões forçadas, intercalando um presente feliz por uma visão do futuro com vícios de drogas ou suicídio, a revelação dada em uma frase quase que descuidadamente colocada ou em um capítulo inteiro que desmembra o fracasso e a frustração, ainda mais dolorosos porque acompanhamos junto os sonhos dos personagens. Porém, apesar de uma previsão de futuro que não é das melhores e do constante tapa na cara ao escancarar a verdade de que grande parte dos nossos sonhos não passam disso, essa experiência literária - muito mais que um livro! - ao menos para mim, termina otimista, deixando um gosto de ansiedade de que a vida é curta demais sim e há tanta coisa pra fazer. Por que não começar agora?
Enquanto revivo a história na cabeça e penso em passar pro papel - pro computador - fico com medo de soar o mais terrível dos clichês, a maior prova de qualquer tipo de escrita medíocre... mas como transformar uma experiência clichê em algum tipo expressão que fuja dele? É uma daquelas situações de montes de coisas dando errado até que surja qualquer coisa que lembre esperança.
Contarei: perdi o vôo. Estava voltando pra casa, depois de duas semanas fora, e perdi o vôo. A isso seguiram-se duas horas de choro compulsivo e desespero (era uma das primeiras vezes que pegava avião, em uma cidade longe, sem saber o procedimento, foi desesperador, naquele momento) e corridas pelo aeroporto para se encontrar qualquer solução que não quebrasse meu orçamento. Eventualmente encontrei, no aeroporto do outro lado da cidade. Fui até lá, com o ônibus que faz o translado, almocei, e me preparei para algumas horas de espera. Esperei, li, desenhei, e fomos avisados do embarque imediato para o vôo que eu deveria pegar. Fui correndo. Embarcamos, esperamos mais de meia hora, e fomos avisados de problemas técnicos na aeronave, logo, precisaríamos trocar. Desembarcamos, entramos num ônibus, fomos levados até outra aeronave. Embarcamos novamente. O vôo finalmente decolou, e finalmente aterrissou. O tempo do atraso foi equivalente ao tempo do vôo, ou maior - absurdo. Descobri que o avião tinha aterrissado em um terminal e minha mãe me esperava no outro. Pegamos - eu e mais vários que estavam no avião - o ônibus que faria o translado entre os terminais. Eu, que peso no máximo 50kg, com duas malas de mão e mais a mala principal, que pesava quase 20kg. Ou seja, eu estava carregando basicamente metade do peso. Em um ônibus. Desastre. E então finalmente cheguei, encontrei mamãe e vim pra casa.
Acontece que em algum momento ali no meio, eu percebi uma criança. Foi no ônibus enquanto trocávamos de aeronave. O menino - que mais tarde descobrir se chamar Miguel, nome de anjo - devia ter em torno de um ano. Tinha olhos azuis esverdeados, cabelos lisos e loiros, e um sorriso lindo. Escondia o rosto cada vez que eu ria pra ele. Os pais, ambos loiros e de olhos claros, pareciam ser do interior, uma energia meio não-ligo-pra-essas-coisas-superficiais-do-resto-do-mundo. Não de forma intelectual e metida, mas sem esforço. E eu observei, por meia hora ou mais, o menino se esconder entre as pernas do pai, se debruçar, se encaixar, de forma doce. E o pai, que me lembrou de cara uma versão mais velha/madura de alguém que foi e ainda é especial pra mim, em cada gesto demonstrava um tipo de amor tão puro e tão intenso que me deixou deslumbrada. Eu nunca havia visto, em lugar nenhum, interação tão doce e bonita entre pais e filhos. Naquele momento eu pensei, por um ou dois minutos, que seria mesmo fantástico ter um filho. E observei os dedos da mão grande do pai brincarem com os cabelos claro, observei a criança escalar nos joelhos do pai até achar alguma posição confortável, para em seguida erguer os olhos inocentes para mim e rir, desviando o olhar logo em seguida.
Eu avisei: clichê, clichê. Inegavelmente clichê, mas ainda assim sorrio à lembrança.
Meu lado leonina em ação, meu lado de frieza inconcebível em ação. Perco o calor com só uma brisa levemente destemperada, engulo duas pedras de gelo e deixo o corpo inteiro reverter a temperatura. Fico arisca fácil, fácil. Como gata que deixa de miar alto pedindo carinho pra mostrar os dentes, mostrar as garras, virar as costas, ir pro telhado. Fugir pro mato, fugir pro ar puro, viver de instinto.
Meu lado leonina que pede a auto-preservação. Você pode errar, sweetheart, meu lado pisciana sempre vai perdoar. E perdoar de verdade - nada de ressentimentos engolidos, palavras jogadas na cara, sentimentos soterrados. Perdôo fácil, e de verdade.
Ah, sweetheart, tudo tem limites. Uma hora eu vou embora - e você nem espera. Porque eu perdôo tão fácil, e às vezes coisas tão grandes, que numa das pequenas vou embora sem que se possa imaginar tal possibilidade. É essa coisa de ser meio do avesso, ou completamente. Cuidado com os limites, eles não são tão óbvios assim, e sem querer, sem pensar, você pode pisar na linha errada. Não é uma ameaça, é sinceridade nua e crua e pura e sem dissimulações, sem falsidades, sem subterfúgios. É quase de uma forma bondosa que aviso: se quer que eu fique, tenha cuidado. Você pode pisar na linha errada sem perceber, e eu perdôo, mas vou embora. E não volto.
Vou silenciosamente, também. Talvez você nem perceba. Porque vou em um nível tão discreto que em dois segundos você passa de tudo pra nada e eu não aviso, não conto segredos, não explico. Talvez você nem sinta. E tudo bem, sweetheart. Tudo bem.
Você pode estar em cima da linha. O próximo passo pode decidir tudo. Pense bem, sweetheart. I love the sound of you walking away.
Esse texto eu estou escrevendo especialmente para você, ser que das duas, uma: ou é retardado mental, ou é presunçoso egomaníaco e acha que tá salvando o mundo com um meme ridículo sobre câncer. (Observação: considere as ofensas como ditas com profundo respeito. Do ripo: "respeitosamente retardado mental", "respeitosamente presunçoso egomaníaco", enfim.)
Começo explicando: sim, eu sei o que é ter câncer. Porque eu tive. TRÊS VEZES, aliás. Deus foi um cara engraçado que achou que seria divertido tentar me matar várias vezes (gente, câncer foi só uma - ou três - delas) e ver se eu sobrevivia - mas sei lá, talvez nem bomba nuclear adiante, porque eu sobrevivi e tal. E explico ainda outra coisa: não sou dessas pessoas cheias de não-me-toques sobre essa que muita gente consideraria uma questão delicada. Aliás, muito pelo contrário - quem me conhece sabe que eu sou a primeira a fazer piada macabra com o fato de eu ter quase morrido vezes demais.
(Aproveito para contar: assim que eu pude sair, fui ao salão onde costumo fazer depilação e comprar produtinhos cosméticos ótimos. A dona, muito feliz em me ver, exclamou contente: "CLARISSA! Como tu ta linda! Como tu ta magra! O que tu fez?", e eu, de forma sádica, me diverti respondendo: "Ah, 'cês sabem, quimioterapia". O salão inteiro ficou chocado e constrangido e eu ri por aproximadamente duas horas e quarenta e oito minutos da cara deles.)
Vou dar exemplo de memes: 1) GANHEM 1 MINUTO AO LER ISTO: Todos temos desejos de ter um carro novo, um novo celular e reduzir de peso. Um paciente com câncer só tem o desejo de lutar contra a sua doença. Sei que 97% de vocês não vão colar este post no seu mural, mas os meus amigos, mais de 3% estou certo de que o fará. Coloque isso no seu mural em HONRA a alguém que tenha morrido de câncer ou está a LUTAR contra ele. 2) Hoje mais do que nunca quero a Cura do Câncer!! Tenho um motivo pessoal para pedir a todos para que coloquem essa mensagem em seu status por uma 1h. Sei quem vai colocar! Pense em alguém que vc ame que teve câncer ou está lutando agora mesmo. Meu desejo é que em 2011 a cura seja encontrada. Há muitos que podemos mencionar que lutaram e que estão lutando. Espero ver isso no status de todos os meus amigos.
Em primeiro lugar: vocês acham que uma pessoa com câncer gostaria desse tipo de exposição? De ser rotulada como "a pessoa com câncer"? De ser o motivo de uma agitação numa rede social tão importante como o facebook por um motivo tão triste? VOCÊS gostaram dessa exposição? Na boa: quer ajudar um amigo? Nossa, isso é lindo, e super nobre. Visita ele - ele provavelmente tá se sentindo sozinho com o isolamento. Escreve uma carta, telefona, leva um vídeo pra vocês verem juntos. Mas NÃO - repito: NÃO - posta coisas que podem ser constrangedoras pra muitas pessoas que não gostam de ficar comentando esse tipo de coisa. Eu sou a mais de boa - geral sabe que eu tive câncer e eu nem ligo. Mas imagina se alguém se sente envergonhado por isso? Imagina que legal se por exemplo tu tivesse AIDS e saísse geral postando no facebook. BOM SENSO, GALERA.
Agora, façamos de conta que você não é o motivo de nenhum meme. Mas você tá numa situação complicada, com câncer, no hospital, fazendo quimioterapia e com toda a parte chata que vem com isso. Você aceitou que tem que passar por essa situação toda, tá se distraindo da melhor forma que pode, aí vai entrar no facebook e... milhões de mensagem sobre câncer. "Quero a cura do câncer" porque né, câncer não tem cura, e você se dá conta que tem grandes chances de morrer. Porra, que meme legal esse! Quem tá doente lê e fica deprimido! UHUL, ESSE É EXATAMENTE O CAMINHO CERTO. Pergunto: é sério que vocês não pararam meio segundo pra pensar sobre isso? Vocês tão rodeando as pessoas que precisam de positividade e esperança na vida com a lembrança de que CÂNCER MATA e que ELAS ESTÃO NESSA SITUAÇÃO. Baita exemplo.
E finalmente, o meu preferido pessoal: "Um paciente com câncer só tem o desejo de lutar contra a sua doença." Pra quem perdeu a piada, colo de novo para dar ênfase: "Um paciente com câncer só tem o desejo de lutar contra a sua doença." SIM, ninguém contou pra vocês? Quando você tem câncer, você automaticamente passa por uma lobotomia e a ÚNICA COISA QUE VOCÊ CONSEGUE PENSAR É EM FICAR CURADO. Roupas? Livros? SEXO? Nossa, a gente esquece o que essas palavras significam. A gente perde completamente a personalidade. Existe apenas algumas palavras no nosso vocabulário: doença, câncer, hospital, quimioterapia, remédio, morte, cura. O resto evapora. Às vezes a gente tá esquece algumas preposições e verbos e fica difícil até formar frases!!! É sério, gente, lobotomia total.
...Quer dizer, 'cês acham que uma pessoa doente fica assim? É no mínimo engraçado, né. Eu com câncer pensava em... roupas. Moda. Música. Filmes. Livros. Comer bobagem com o pessoal. E depois me desesperar pra perder o peso que adquiri comendo bobagem com o pessoal (sim, eu fiz dietas enquanto tinha câncer, que coisa mais horrível). E sexo, né. Aliás, sexo é um negócio interessante de se analisar porque você é obrigado a se privar disso durante vários períodos em que o corpo está mais fragilizado. Então provavelmente o pensamento que mais ocorre na cabeça de uma pessoa com câncer é: "cacete, quero transar".
QUE HORROR! Uma pessoa doente jamais poderia ser tão fútil! É, claro, porque as pessoas sãs também são tão incrivelmente profundas, como a gente pode ver nesses memes, né? Exemplo de atitude a ser seguida.
Honestamente, como alguém que teve câncer (três vezes!), me sinto pessoalmente ofendida e enojada por esse tipo de atitude que não passa de pretensão, vontade de acalmar a consciência de forma fácil e se iludir que tá fazendo qualquer coisa que preste pra ajudar alguém. Dica: isso tá fodendo mais. Parem, por favor.
"Coloque isso no seu mural em HONRA a alguém que tenha morrido de câncer ou está a LUTAR contra ele." Na boa? Enfia a honra no cu e deixa a gente lutar em paz.
That’s fucking insane. People will always hurt you, cause that’s what life is all about. If they can’t hurt you, it’s cause they’re not close enough, so what’s the point? You have to be close enough, you have to let yourself be hurt in the worst ways you can imagine, cause it means your are living it for real. Only the people you love are able to scar you for life, and you know what? Scar tissue is the strongest of your body (as Roitfeld said), so if it’s just the pain in the end, you’ll be stronger. And you would have lived. Like that Mystery Jets’ song, “it’s better to have loved and lost than to have never loved anyone”, but you can’t truly love if you don’t want to be hurt, if you are scared to be hurt. You will always hurt people. And they will always hurt you back. Cause we are humans, we have flaws, we don’t know what we are doing most of the time. Specially when it comes to feelings. So don’t wish people won’t hurt you. Wish they will make you suffer, a lot, cause then you will be feeling. And wish they will make you laugh, and think that’s the most amazing thing you have ever lived. Wish they will make you break all your promises to yourself, that they will tear your life apart and upside down, make it all a huge and complicated mess, but it will be so fucking good you won’t mind. So wish they will hurt you. In the worst ways, in the best ways. Cause that’s love.
É confuso, é confuso o alívio e a tristeza misturados, porque você se sente bem, tão bem, tão leve, tão livre, e no minuto seguinte você começa a cogitar toda a gama de possibilidades ruins e elas fazem você se encolher assustada, mesmo que você saiba que pode - ah, você pode com facilidade - lidar com elas, não só porque é você é forte, nem só porque você já fez isso antes, mas porque você simplesmente sabe que pode seguir em frente independente do resultado, só que você você se confunde, ah, você se confunde, porque você sabe que não quer seguir em frente independente do resultado - você pode, só não quer - você quer seguir em frente com o seu resultado, e quando você pára pra pensar e reviver tudo dentro da sua cabeça, todos os momentos e diálogos e frases marcantes e toques e tudo aquilo que você guardou pra nunca esquecer, você pára e vê que você está certa afinal, você precisa estar, porque tudo, tudo, tudo indica isso, como poderia ser de outra forma? Mas você pensa que pode ser tudo teatro, enganação, não-cinema como diria Derek Delano, ou então você enlouqueceu e passou a ver coisas que não existem, a ouvir coisas que não existem, a lembrar coisas que não existiram - porque essa é, afinal, a única explicação lógica, e aí você não sabe mais em quem acreditar, na sua intuição, nos indícios, na loucura, nas certezas (quais certezas se não há nenhuma?) e tudo se mistura numa bola rosa mascável e doce, bubble gum, hahaha, Derek ficaria orgulhoso. Mas você sabe que não é Manon, e não é nada daquilo descrito - talvez uma ou duas frases, talvez um ou dois parágrafos, talvez os sentimentos todos, mas não é essa a sua história, não são esses seus personagens - e você quer o alívio, e quando você pensa que a confusão e a incerteza são as piores coisas você pensa que não se importa com o resultado, não se importa contanto que saiba, você precisa saber pra seguir em frente, qualquer que seja o caminho, você pode ir para Oz se quiser, e depois voltar para casa depois, Dorothy estava certa, não? E pensando nisso você vê que sim, é uma fugitiva mas não sabe do que está fugindo, e dessa vez vai se obrigar a não fugir, life rehab era o que tinha dito, não?, e você vai em frente e vai fazer tudo o aquilo que nunca quis, mas você vai porque precisa saber, precisa saber, precisa saber, mesmo que seja ruim, mesmo que seja o pior de tudo. E você pode amar o som dos passos indo embora, você pode amar, mesmo que por dentro esteja querendo que fique, mas você sabe perceber a beleza da partida, e você deixa ir, você deixa porque sabe que pode lidar com isso sim, porque realmente nenhum prédio vai cair, nenhum terremoto vai partir a terra, o sol não vai engolir o céu, estátuas não vão chorar, então você deixa partir, você deixa partir porque sabe que vai sobreviver (é aquela coisa, as pessoas danificadas e quebradas são as mais perigosas porque elas sabem que podem sobreviver, e você é uma sobrevivente, o quão perigosa pode ser, o mais perigosa, não é?), porque você é forte (você é forte agora que sabe que é uma dessas pessoas que abandona os outros, não é? Você é, você é, mas você está permanecendo, você já pensou em partir um milhão de vezes, mas ficou, não foi?), e você pensa que sim, você pode amar o som dos passos indo embora, mas você quer que eles fiquem. E então você mastiga essa bola confusa, e sente o gosto doce, e pensa se é tudo enganação? Você mastiga as incertezas, as lembranças e as esperanças, só não perca as esperanças agora, não perca todas elas agora, ainda não aconteceu, é incerteza, lembra? Mesmo que seja ruim, vai ser melhor, você sabe, mesmo que seja ruim vai ser melhor! E como você pode ter certeza que será ruim se não há certeza nenhuma, como você pode ousar pensar que vai ser ruim se só há confusão, não, você sempre faz isso, pensa que é ruim pra poder fugir, não precisa fazer isso agora porque você não tem para onde escapar, você vai em frente, então querida... não perca todas as suas esperanças agora.
The maestro says it's Mozart, but it sounds likebubble gumwhen you are waiting for the miracle.
cass diz: *li um post do donna e a maioria dos teus posts era por cima de algo que você tinha aprendido numa aula aleatória no teu curso, e eu pensei 'ai, queria cobertura do donna de novo' e li 'eu amo respirar moda' e pensei algo como awwn essa clarissa. tipo ESSA clarissa, do começo do sem malícia não é ESSA clarissa que eu to falando agora. que ainda adora respirar moda, mas optou por respirar tudo. não sei, tenho uma impressão que você é tinha o mundo na mão naquela época, quando era aquela clarissa, e agora você decidiu dar uma mordida pra ver o gosto, sabe? ahahah taste the world. nessa nova clarissa. *e eu adorava aquela clarissa, admirava, e tudo mais, mas essa clarissa, eu consigo gostar ainda mais dela, nem sabia que era possível ahahah, ela é tudo aquilo ainda só que mais. e a próxima vai ser aquilo e isso agora e ainda mais. *não posso sentir falta daquela, porque essa tem muito mais pra me ensinar, pra dizer, pra pensar sobre. essa continua crescendo.
You've turned your back upon her one too many times Spent all her hard earned money getting high, she sang:
"Is she more beautiful, is she more beautiful, is she more beautiful than me? Is she more beautiful, is she more beautiful, is she more beautiful than me?"
She's la Belle et la Bête at the ball, la Belle et la Bête at the ball la Belle et la Bête at the ball, you know she could have us all.
Querida, eu honestamente entendo você. Você quer se tornar uma pessoa melhor, e você tenta, mas parece que nunca consegue. E então você desiste lentamente das suas esperanças - sobre amor e vida e sonhos - e procura por consolo nas coisas que podem destruir você. Então você destrói a si mesma e todas as coisas ruins também. Você destrói a si mesma antes que a vida ou o destino o faça. E por cinco minutos você se sente bem. No controle. Mas no momento seguinte a realidade acende e você volta a se julgar, se arrepender, se questionar. Você pensa em desistir, mas você é um pouco corajosa e hedonista demais para deixar certas coisas ou prazeres para trás. Você pensa em se manter firme, continuar indo em frente, mostrar para as pessoas que você superou. Mas a verdade é que você precisa fazer isso para você mesma, e ninguém mais. Sim, você está envergonhada, mas tem mais medo dos próprios olhos do que de qualquer outra pessoa. Sim, você quer desaparecer, mas... não era você a corajosa? Ah, verdade. Então você mantém a cabeça erguida e tenta seguir em frente. Você vai tentar fingir que nada aconteceu, mas por dentro você saberá todas as coisas que a torturam e isso vai matar você aos poucos... Quer saber? Você quer ser uma pessoa melhor? TRY HARDER. Pare de sentir pena de si mesma e GET OVER YOURSELF. Toda história de 'i fucked up, i feel bad, i wanna be better, but im fucking it up again' está se tornando velha, repetida e patética demais. Não quer se sentir mal? Então não foda as coisas em primeiro lugar. Pare de perder a si mesma. Você sabe quem você é, então SEJA! Pare com os comportamentos ruins - para os outros e para você, principalmente. Pare de se boicotar (I cheated myself like I knew I would, I told you I was trouble, you know that I'm no good), pare de fugir (you are the fugitive but you don't know what you're running from), pare de ser esse clichê de pobre menina linda, problemática demais (I'm losing control, yeah, the kids are all fucked up). Se reconstrua. Mude sua trilha sonora. Aceite essa você quebrada, danificada, porque você é assim, mas pare de se quebrar mais. Quer ser uma pessoa melhor? Seja. Eu prometo que vou ajudar.
- sim, erros melhores, mas isso não significa continuar com os antigos. Cansei de ter uma outbox surpreendente no celular, cheia de mensagens enviadas pelo álcool, e posteriormente esquecidas ou arrependidas. Cansei de tantas coisas que é difícil explicar aqui, principalmente porque elas vêm de dentro. Cansei - me sinto desgastada, por dentro e por fora, virada do avesso, esticada até o máximo, e a verdade é que... a verdade é que nem me questionar se está valendo, valeu ou valerá a pena faz sentido, porque valeu sim, e muito, e também valeu nada, e no fim foi eu que escolhi me cansar e daí como é que fica...?
Cansei. Não de alguém ou algo, mas dos meus próprios comportamentos repetitivos, dos meus próprios mecanismos tão bem conhecidos, dos meus padrões eternos, e eu cansei, e isso vai mudar, isso está mudando, e talvez ninguém veja, mas eu vou, eu vou ver, e principalmente sentir.
Cansei. Só que isso não significa desistir.
Don't be sad, won't ever happen like this anymore So when's it coming, this last new great movement that I can join? It won't end here, your faith has got to be greater than your fear.
Forgive them, even if they are not sorry All the vultures, bootleggers at the door waiting You are looking for your own voice but in others While it hears you, trapped in another dimension
Drop your guard, you don't have to be smart all of the time If you believe in this world then no one has died in vain But don't you dare get to the top and not know what to do
(escrito originalmente para uma imagem que rebloquei no meu tumblr)
Então vamos aproveitar sem medo, sem olhar para trás, sem repetir os mesmos erros. E vamos viver de erros melhores, de desamores sem mágoa e amores sem medo.
No fim, nós não temos escolha a não ser fazer, viver, amar e ser o melhor que pudermos. Não há para onde fugir. Não há como fugir. E você pode tentar - vai, tente, eu deixo, estou aqui te dando toda a liberdade para fazer isso - mas será em vão, porque no fim... você vai acabar running into yourself. No melhor estilo Holly Golightly.
- e entenda: cada pequena nuance de você, cada nuance ou pedaço de sensação, pensamento, sentimento, ideia e ideal, cada pedacinho de você vai cair na sua frente, para ser reconstruído, aceitado, engolido pela fome voraz de ir embora - mas você pode correr e correr e vai acabar no mesmo lugar, você pode ir embora quantas vezes quiser, mas você vai voltar -
E embora eu saiba que não tenhamos nada de Holly - a não ser esse pequeno detalhe compartilhado, negado, sussurrado, evitado e vivido - caminhamos pro nosso próprio café-da-manhã na Tiffany's, sem comida, sem jóias, só cobertores e cama macia.
Aqui está toda a liberdade que você possa querer. Estou lhe dando, de presente, pegue-a e vá embora, e aprenda, e perceba, e entenda... e quando cair aos seus pés, novamente, esse final triste servirá para um começo de final feliz. Ou só começo feliz. E meio, e tudo o que o vem depois, sem precisar cronologias.
E então, finalmente, verdadeiramente, iremos aproveitar sem medo, sem olhar para trás, sem repetir os mesmos erros. E vamos viver de erros melhores, de desamores sem mágoa e amores sem medo.
E eu sempre vou escrever para você, e para todos os caras que passarem pela minha vida, e para as garotas, e pelas amizades e amores e sexos, tudo vai se transformar em letras e palavras e histórias, todos os sentimentos, todas as sensações, todos os sorrisos e lágrimas e orgasmos, tudo vai se transformar em frases, todos serão personagens, o bom, o mau, e todos os que são um pouco dos dois, e eu, e você, e todo mundo que um dia passou ou vai passar pela minha vida, que vai me dar ou me tirar alguma coisa, que vai me beijar ou me mandar embora, que vai ser amor ou ódio, sempre nos extremos, intenso, escrito, sem poesia, só prosa corrida, irreprimida, inesgotável.
A arte pela arte, o Parnasiano escrito, sem perfeição, só borrões de letras, um pouco de Modernismo estruturado e muito, muito Barroco pincelado, nessa intensidade de histórias, temas e personagens, esse Rococó lúdico, e sujo, e de malícia escondida, dissimulada, com as marcas do Impressionismo que reflete cada impressão, sensação, cor, luz, e a arte pela arte sem definição e um mundo inteiro de história no passado. E no futuro.
Quero que você olhe no espelho e perceba como você é bonita. Bonita, não. Linda. Os cabelos compridos, os olhos expressivos. O sorriso. Um sorriso pequeno de reconhecimento, de malícia, de timidez. Um sorriso que em poucos minutos pode se transformar em riso expansivo, contagiante, cristalino.
Quero que você olhe no espelho e não veja mais defeitos. Eu sei que quando você vê, você só percebe aquilo que você não gosta. Quero que uma vez, pelo menos, você se veja através dos meus olhos: onde não há defeitos, e a única coisa que se pode ver é beleza e encanto.
Quero que você ame seu corpo, seu rosto, seu tudo.
Quero que você veja também refletido nos sorrisos das pessoas o quanto elas amam você. O quanto você é maravilhosa. Você é linda, sim - eu sei disso, todo mundo sabe disso. Talvez só você não saiba. Mas a sua beleza acontece em todos os níveis. Quero que você perceba o quanto você é especial.
Eu sei, eu poderia citar qualidades aqui. Poderia dizer que você é inteligente, engraçada, divertida, compreensiva. Poderia falar muito mais. Mas quero que você perceba mais que isso - quero que você perceba que você é importante. Que a sua companhia é essencial na minha vida. Que você tem a capacidade incrível de me fazer feliz.
E que não é só comigo. Quero que você olhe em volta, e veja quantas pessoas amam você. Quantas pessoas admiram você. Quantas pessoas gostariam de ser um pouco mais como você.
Quero que você se orgulhe de si mesma. E se sinta bem, todos os dias, por vestir a sua pele. Viver a sua vida. E ser quem você é. Porque eu sei que eu tenho orgulho de você.
Quero que você não aceite menos do que merece, e que você perceba que merece o mundo inteiro. Que você não se deixe diminuir por ninguém. Que não aceite a felicidade em pedaços, nem amor em pedaços - e que os receba inteiros. Cheios.
Quero que você olhe no espelho, e veja como você é linda.
You are beautifulin every single way, words can't bring you down.
P.S.: E para você, que tem sido minha companhia nesses dias - ou melhor, noites - quero dizer uma coisa especial. Quero que você perceba tudo isso, com intensidade, e que você veja o quanto já fez por mim. Você me deu oportunidade, coragem e liberdade de ir além e fazer coisas que sempre quis. Você me abriu um mundo novo, e você me deixou ver as suas fraquezas. De uma forma tão doce que eu quis pegar você no colo e não deixar ninguém te machucar. Nunca. Você é linda. Quero que você veja isso, em todos os níveis.
Meu professor de Psicologia da Percepção costumava dizer que a realidade é única para cada indivíduo. Ele explicava que quanto mais perto da realidade real o indivíduo percebia a realidade, mais consciente do seu entorno ele seria. E isso é óbvio, claro. Mas o interessante é como a realidade é relativa a experiências e interpretações pessoais, podendo a mesma realidade ser percebida de duas formas quase opostas por dois indivíduos diferentes. A discussão que ele queria levantar era se a percepção distante/próxima da realidade caracterizaria loucura, criatividade, genialidade ou burrice - afinal, dizem que artistas percebem além do que o resto das pessoas, e esse além seria mais perto ou mais longe da realidade real?
O ponto que eu considero interessante, entretanto, é outro. Exemplificando: digamos que fulaninho é super inteligente, mas finge que é burro. Todo mundo que convive com ele acha que ele é burro, coitado. Só ele sabe que, na realidade, é um gênio dissimulado. A realidade compartilhada por todas as pessoas a sua volta é de que ele é burro. A realidade que ele vive é de que ele é inteligente. Se ninguém sabe que ele é inteligente, isso é real? É mais real a realidade individual ou coletiva?
Comecei a pensar sobre isso quando percebi como conheço algumas pessoas com percepções distorcidas de si mesmas. Mas não distorcidas como exagerar alguma qualidade ou defeito, mas de acreditar que é de uma forma completamente diferente do que realmente é. Isso me levou a pensar sobre a impressão que eu deixo nas pessoas; a percepção que elas têm sobre mim é mais real do que a eu tenho?
A situação fica mais complicada porque tenho tendência a manipular a percepção das pessoas sobre mim. Tenho certa facilidade em ler até que ponto posso mostrar/esconder, e por isso mostro/escondo determinadas coisas de forma quase calculada. É claro que nada disso acontece com as poucas pessoas realmente próximas de mim (meus dez bésties do coração), com quem posso ser 99% eu mesma (sei lá, acho que ninguém é 100%, sempre algum detalhe vai escapar). Conheci pessoas que disseram que sou uma piranha cretina. Outras que disseram que sou a pessoa mais simpática e querida que elas conheceram. Isso é resultado exclusivo da minha manipulação ou da percepção das pessoas? E há algum, entre eles, que seja real? Já me disseram também que sou, nas palvras exatas, uma "vadia louca bem facinha". E também já me chamaram de puritana reprimida. Repito: isso é resultado exclusivo da minha manipulação ou da percepção das pessoas? E há algum, entre eles, que seja REAL?
A segunda parte da minha reflexão começou porque, essa semana, três pessoas diferentes vieram me advertir quanto a conhecidos em comum. Algo como "tu não pode imaginar o que ela falou, ela não é uma pessoa confiável" ou "eu te disse que ele era um filho da puta". O que me surpreendeu, aqui, é que tudo o que me foi falado... já era do meu conhecimento. Porque eu já havia percebido que as pessoas eram assim. E, aliás, já havia percebido como poderia usar isso a meu favor, e pensava se iria, ou não, usar. O que me levou a pensar - é impossível esconder o que pensamos/sentimos ou algumas pessoas têm uma percepção maior da índole alheia? Sei que tenho uma facilidade de perceber exatamente o que pensam em relação a mim, e em geral utilizo essa informação para agir de forma a comprová-la ou desmenti-la. É divertido, para dizer o mínimo. Mas o ponto é... é real?
edit:alguns minutos depois no msn...
amanda diz:
*Conheci pessoas que disseram que sou uma piranha cretina. Outras que disseram que sou a pessoa mais simpática e querida que elas conheceram. (L)
*as pessoas que te conhecem 99% acham que você é os dois.
De tempos em tempos, uma certa inquietude parece correr pelas veias no lugar do sangue. Sinto pulsar pelo corpo em ondas, fazendo a pele formigar e o coração bater de um jeito esquisito.
Descompassado. Pela metade. Ao contrário.
A inquietude pulsa, recusando a inércia e buscando cada pequeno sinal de instabilidade. De repente o mundo inteiro parece pequeno demais, banal demais, velho demais. Como se não fosse suficiente. De repente as pessoas parecem banais demais. E eu, no fim, pareço banal demais, pequena demais, com braços curtos demais para a vontade grande demais de abraçar o mundo inteiro.
O tempo parece passar rápido demais, e não parece haver minutos suficientes para que eu faça tudo o que quero fazer. O tempo parece passar devagar demais, e não parece se suceder na velocidade necessária para que eu faça tudo o que quero fazer.
E é nesses momentos que eu tenho, muito mais do que vontade, uma necessidade inexplicável de ser m a i o r. De fazer mais. De ir além.
Só que, entre essa inquietude pulsante, o foco se perde. E sobram imagens desfocadas que não fazem muito sentido, me mandando em uma direção que não sei direito qual é.
Her heart is racin' and the room is heatin' up and her eyes are glazin' but she still can't get enough You can't change her 'cause you know you think it's hot and that girl loves danger but she don't know when to stop Gonna get you somehow, you're the talk of the town, who's in control now? And I wont come back down, I hope you come down
The beat is bumpin', now she's blowin' up (blowin' up) The last thing on her mind is growin' up (growin' up) She'll kiss the sky before she's givin' up (givin' up) and oh here she comes She's dancin' with the stars and livin' in the sky with diamonds She's dancin' with the stars and oh how the lights are shinin' She holds a key in her hand, reflection in the mirror's her bestfriend oh she's dancin' with the stars, the stars keep dancin'
(living in the sky with diamonds - cobra starship)
- Então, mana, por que aquela vez tu ficou gripada e eu não?
- Eu tava fazendo tratamento, aí eu tava imunodeprimida.
- Tu tava muito triste?
- AHAHAHAHAHAHAHAHA!
algumas horas depois...
- Deve ser chato ser um inseto, né, mana?
- Deve ser chato ser uma árvore.
- Tu já me mostrou essa no orkut!
- Deve ser chato ser uma cabra.
- Mas elas são legais, elas fazem méééé.
- Mas elas não têm ambição, é só olhar pra cara delas.
- Quê?
- Essa é só pra quem tem orkut também.
- Mana... o que é ambição?
- O que tu acha que é?
- Ah, sei lá... tipo, que elas não podem fazer coisas?
- Não. Vai procurar no dicionário.
- AH, já sei! É SEXO!
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Aí elas não podem fazer sexo! Por isso é chato ser uma cabra.
- É, elas não podem fazer sexo, aí ficam imunodeprimidas e fazem méééé.
mais um tempo depois...
- To achando que aquela limonada tinha maconha, porque to muito nada a ver hoje. Tipo, olha lá, Pedro, aquela sombra na parede não parece uma ovelha de costas?
- Bah! É VERDADE! Ela tá feliz, ela viu o camelinho.
- CAMELO? Meudeus, Pedro Henrique, como é que um CAMELO vai ser o macho da ovelha?
- AI IDIOTA, EU FALEI CARMELINHO.
- Carmelinho? Esse é o macho da ovelha? Até pode ser, eu sempre me atrapalho com isso. Mas não lembro de aprender nada com "carmelinho" sendo o macho da ovelha...
- MEUDEUS, EU TENHO UMA IRMÃ RETARDADA E SURDA! EU FALEI CARNEIRINHO.
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
...e é isso o que a gente fica falando antes de dormir.
Finalmente de volta à cidade grande. Não adianta, por mais que eu até goste bastante do mar, eu não sobrevivo na praia por muito tempo - I'm a big city girl, after all. E essas férias, em especial, começaram prometendo tédio e atividades solitárias - diferentemente do ano passado, em que tinha ótimas companhias, nessas férias fui apenas com a minha família, de modo que, nos primeiros dias, meu tempo se resumia, basicamente, a tédio, lan house e livros. Vejam bem, não estou de todo reclamando: tédio com certeza me desagrada, mas como boa viciada em internet a lan house me era bem útil (embora o inconveniente do deslocamento e de não poder acessar a internet a qualquer hora, devido à falta de cobertura da VIVO 3G em Garopaba, fosse um saco). E quanto aos livros... nem preciso falar muito, livros me são um mundo à parte, um pequeno paraíso individual e fonte inesgotável de prazer. Dessa vez, mergulhei nos mistérios investigativos com Mikael, Lisbeth e a equipe da Millennium, e adorei cada minuto.
Entretanto, logo na primeira semana, fui passar alguns dias na casa de uns amigos em Pinheira, e o meu tédio deu lugar a conversas divertidas (às vezes até quase o sol nascer), jogos de detetive, debates interessantes e noites entre a Guarda do Embaú e o minúsculo centrinho da cidade, com crepe francês e sorvete fazendo companhia. No dia que voltei a Garopaba, outra agradável surpresa me esperava - mais que bff, minha sis de coração, a Flora, estava indo para lá com histórias maravilhosas e conversas melhores ainda. E depois tardes caminhando pelo centrinho ou pelo mar e pedras da praia e de noites lendo ou assistindo a Glee, fizemos amizade com uma vendedora de uma loja bem legal, a Jump!. A amizade e mais uma comprinha básica (um vestido da Triton lindo, preciso acrescentar) nos garantiu dois ingressos VIPs para a noite de sábado do Bali Hai, e quando a noite chegou passeamos entre as pistas pop e psy, pela área VIP e pelos bares (oh, cuervo), dedicando mais da metade do tempo à pista de hip hop. E dançamos. Muito. Na pista, no palquinho, na fila do bar, em qualquer lugar. Dançamos Black Eyed Peas, Beyoncé, David Guetta, qualquer música. E dançamos, ainda mais, até as pernas cansarem e os joelhos morrerem de dor, e a gente resolver voltar para a casa, totalmente cansadas e totalmente suadas.
No domingo de manhã a Flora foi pra Praia do Rosa, e eu fiquei em Garopaba com meus pais e meu irmão. E dormi, muito. E depois li, e depois tive uma ideia e resolvi sair e fazer uma matéria para o Allez Glam! (que estará online entre amanhã ou depois). E cheguei em casa tarde, li mais um pouco e dormi bastante mais. E na segunda ainda precisei terminar a matéria, antes de poder voltar pra casa e me arrumar para, dessa vez, eu ir até a Praia do Rosa encontrar a Flora. Depois de alguns contratempos e quase não poder ir, cheguei gritando e surpreendendo a Flora, e a gente riu e conversou e procurou a Lua antes de finalmente sair.
Primeiro fomos no Goa Lounge, entramos free, tomamos caipirinha e dançamos (muito!). Pedi para o DJ tocar Beyoncé e ele tocou um set de pelo menos quarenta minutos só de hits da diva. Lá pelas duas e meia, quando estávamos enjoando do lugar, resolvemos sair e ir até o Pico da Tribo. Só que o caminho tava meio embarrado da chuva, e a gente já tava cansada de tanto morrer dançando na pista, e eu já tava começando a reclamar que meus pés iam ficar sujo e ewww, que nojinho! E foi então que uma caminhonete parou do nosso lado, e o cara olhou e disse:
- Não tá ruim de caminhar por aí, não?
E eu respondi, fazendo fiasquinho:
- Aaaai, muiiito, meu pé tá ficando sujo!
Ele começou a rir e nos ofereceu carona. A Flora chamou a Lua e eu com certeza tava pronta pra pular no carro, de tão cansada e de tanto nojinho que tava sentindo, mas daí comecei a entrar naquelas paranóias de tipo aimeudeus e se ele for um psicopata?, que anos com uma mãe superprotetora enfiaram na minha cabeça. Então eu virei pro cara e disse:
- Escuta, por acaso tu não é um psicopata, né? Tipo, tu não vai nos estuprar e nos matar no mato da próxima esquina, né?
Aí ele riu e respondeu:
- Não, acho que não.
Então a gente se olhou e ficou tipo "okay então", daí a Lua entrou na cabine e eu e a Flora subimos na parte de trás da caminhonete e fomos de pé, conversando coisas tipo "então se ele me matar e tu sobreviver, diz pra minha família que eu amo todo mundo e pede desculpas por desobedecer minha mãe e entrar no carro de um estranho, tá?" e aí a gente começava a rir o cara ouvia a gente rindo e perguntava do que a gente tava rindo, mas a gente desconversava e continuava a falar besteira, rir, e pular. Até que a gente finalmente chegou ao Pico da Tribo, aí a gente saiu, eu virei pro cara e disse:
- Valeu por não nos matar!
Aí a gente entrou, free again, porque a gente é muito foda, e foi logo pra pista, mas tava tendo showzinho, aí a gente tirou umas fotos e ficou conversando até o DJ entrar, e daí ele tocou tipo uma hora de música boa (e a gente morreu dançando na pista, como sempre), e depois começou a tocar umas músicas meio ruins. E o DJ era super gato, isso eu e a Flora concordamos, mas ele não era muito bom, e isso nós também concordamos, mas aí eu fui pedir uma música e ele foi tão estúpido e tinha uma voz tão horrível que a gente broxou totalmente. Quase que eu disse "hei honey, tudo bem que tu é gato é tal, mas isso não é desculpa pra ser chato, metido e um DJ ruim", mas como eu tava me sentindo boazinha e feliz, acabei deixando assim mesmo. Aí chegou tipo seis horas, e a festa acabou, e veio um guri falar comigo, mas eu tava louca pra ir embora e acabei sendo tri estúpida com ele (tudo bem, eu sempre sou meio estúpida, mas o guri até que foi queridinho) e daí eu fui ver o que a Flora tava esperando, e ela tava falando com um guri, e o guri falou "se ela é Flora e ela é Lua, tu é quem?" e eu disse "Serena" e ele riu, e daí nós três mais ele e o amigo dele fomos caminhando de volta, e o caminho inteiro eles me chamaram de Serena. E daí eu falei "tá legal, preciso falar que meu nome na real não é Serena" e eles não ouviram, aí a Flora precisou contar, e no fim a gente ficou comendo e conversando até quase nove, quando meu pai chegou pra me buscar.
E daí eu fui dormir, e sonhei com o Mikael e com a Lisbeth... e acordei para me encontrar com eles, de novo. Eles e todo mundo da Millennium. No fim, tive, sim, ótimas companhias nessas férias.
Esse ano novo fui para a praia. Passo todos os verões e Garopaba e nunca havia visto o show de fogos ou passado o ano novo por lá - me considerava quase turista, sendo que devo ter vivido certa porcentagem considerável dos meus dias por lá. Há dois dias, isso mudou. E me emocionou. E a virada trouxe companhia, beleza, deslumbre, risos, divagações e promessas - ah, as promessas. Não as que fiz - fiz nenhuma, admito. Mas as que o ano de 2010 traz. Tantos planos, tantos sonhos para se sonhar, tantos mais para se realizar...
E no meio desse redemoinho, me peguei essa semana com um sentimento intenso, que me fazia rir quase sem parar. Eu estava simplesmente feliz - sem precisar de nada, só de mim. E as companhias, os risos, as brincadeiras, os beijos, as frases soltas no ar, tudo isso veio junto, com um pacote, um bônus à felicidade que chegou antes. Chegou antes e ficou.
Por um 2010 de êxtase.
P.S.: fiz um tumblr, onde vou postar imagens e citações que me inspiram (:
P.P.S.:You're So Vain da Carly Simons me faz pensar que eu sou assim. 'Cause I'm so vain, I always think everything you write is about me.
Não gosto de aceitar situações que não quero aceitar ou de me resignar em algo que não está bom. Não gosto da covardia e do medo de mudar algo - pelo medo de que piore, em vez de melhorar. Não gosto de saber que certas coisas permanecem, e que muitos dos meus clichês se repetem de forma patética. Não gosto de constatar que algumas coisas me atingem, mesmo sabendo que posso manter a classe e superar com facilidade. Não gosto de saber que me atingem, realmente - não só a situação em si, mas todas as suas ramificações - mesmo que eu saiba lidar com isso melhor do que a maior parte das pessoas. Não gosto de saber que tudo isso, tudo isso é um grande clichê, é uma dessas histórias que me contaram e eu pensei superiormente que jamais me deixaria cair na mesma situação. Não me deixo cair - mas não gosto de saber que, não fosse determinadas posturas que tenho, eu cairia antes mesmo de perceber, e não gosto de saber que muitas vezes escorrego e perco o equilíbrio, mas junto as forças e o recupero antes que seja tarde demais. Não gosto da ideia de ficar/estar dividida entre duas situações - dois sentimentos, dois mundos, dois passados - e que nenhuma das duas é a resposta, nenhuma das duas pode ser resolvida, e que tudo isso só serve para confundir ainda mais. Outro grande clichê.
Gosto do passado quando são lembranças boas e distantes - não gosto do passado quando ele resolve assombrar o presente e confundir o futuro. Quero enterrá-lo com um epitáfio bonito e esquecer certas coisas que pensei, senti, planejei, achei, desejei. Quero enterrá-lo com um epitáfio bonito, arrancar as folhas velhas dos cadernos e deixar que permaneçam só as brancas. Esperando que alguma história feliz seja escrita. Como um belo novo clichê.
P.S.: me deparei esses dias com um trecho de uma música que ouvia repetitidamente em um passado distante, um passado que não foi tema desse post. Lembrava pouco da música, da letra, do título, da banda - mas fui atrás, reouvi, relembrei, ressenti tantas coisas... e a parte engraçada é que, mesmo sem traduzir nada do que eu disse aqui, ela de certa forma traduz... de forma subjetiva, que talvez só eu entenda - porque é muito mais melodia do que letra, muito mais sentimento do que compreensão.
P.P.S.: o título do post veio da letra da música e também não tem relação exata com o que escrevi. Mas é engraçado como nas minhas visitas a cadernos velhos e arquivos antigos do computador achei cartas sem ou com destinatário, mas que nunca seriam enviadas. Ainda as escrevo. Nesse mês, foram duas - para pessoas diferentes, sentimentos diferentes, passados diferentes... mais duas cartas que jamais atingirão seu propósito. Só servem para expressar aquilo que jamais saberão que foi assim.
EDIT - embora algumas coisas na minha vida não tenham ocorrido da forma como eu esperava (e como tiveram coisas assim!...) eu preciso dizer que realmente estou feliz. Mesmo com as tristezas, com a raiva, com as pequenas crises que de vez em quando aparecem, com a nostalgia que invade algumas madrugadas... tem tanta coisa boa também. Até a parte ruim de certa forma é boa - me faz sentir tão viva, pulsante, inspirada. Com tanto sentimento preso precisando sair - e sai sempre na forma escrita, em textos guardados que eu vou adorar reler daqui a alguns anos. E tem tanta coisa nova aparecendo, acontecendo!... Espero que essas coisas boas continuem. E só venham a melhorar.
Engraçado. Faz menos de um mês que eu não estou mais mergulhada na quantidade incrível de hormônios que faz com que a gente se apaixone e já estou começando a me desesperar. Acho que eu preciso estar apaixonada para me sentir viva. Eu quero me apaixonar de novo.
Eu sei que morar aqui não é certo. Esse lugar - essa cidade, esse país - não pode me oferecer o que eu quero. Nem profissional, nem pessoalmente. Agora mesmo estava conversando com a Marina sobre como é difícil se apaixonar. A gente não sai para jantar, a gente não vai a cafés. A gente vai a festas, fica com várias pessoas, conhece gente, se diverte, talvez até se sacie. Mas a gente não se apaixona - isso não acontece em festas. Acontece em jantares, ou cafés, com champagne, mocaccino, conversa e diálogos pseudo-inocentes carregados de insinuações.
Eu adoro essa parte. Adoro essa parte supostamente sem malícia em que a gente se conhece, conversa, toca, tudo de forma casual e pensada para parecer inocente. Mas a gente sabe que por baixo disso existe aquela tensão forte, aquela mistura de atração da primeira impressão que não pode ser saciada com tudo o que foi construído em cafés, restaurantes, cinemas. E o primeiro beijo deixa de ser algo comum, que se dá várias vezes numa noite só, e passa a ser uma forma de ceder àquela tentação que se construiu e permaneceu por vários encontros. Encontros de toques que arrepiam e palavras com mil significados, e a tensão nunca evapora completamente. E do primeiro beijo à primeira vez a tensão aumenta, e nunca desaparece por completo.
Lendo um estudo sobre Criatividade para Psicologia da Percepção, foi defendido que qualquer tipo de criatividade só pode derivar de uma tensão pré-existente. Acredito que tudo seja assim - sem a tensão e o frio na barriga as coisas perdem a graça. É preciso desejar, é preciso duvidar. A incerteza alimenta a tensão que constrói a paixão, e daí não se forma um romance pobre e falho que surgiu em uma noite e evoluiu tão rapidamente que se tornou sem graça. Porque a gente cansa. A gente cansa das pessoas e das coisas que não nos dão emoção...
"É uma daquelas sortes que faz sua barriga formigar. O vento molhado, o cheiro molhado da chuva que começou a cair no exato instante que você pisou na madeira da varanda. Você se inclina na grade da varanda e observa a chuva cair. Aproveita enquanto a água não escorre pelo beiral. Sorri pra chuva. E sente vontade de ter demorado mais um tempo pra poder se molhar completamente. Você gosta de chuva, aliás. Mas você a observa do lado de dentro, segura, e protegida. (Vocês sabem que isso é uma metáfora. Correr da chuva.)" (Amanda Azevedo)
Não sou Pollyanna. Não costumo ver sempre o lado bom das coisas e não sou de me resignar. Sou existencialista e acredito que a nossa vida é produto (já que sou consumista e capitalista) do que construímos - ah, mas isso é óbvio, você vai dizer. É, na teoria, em caracteres pretos na tela do computador. Na prática o que mais há é lamúrias e "por que isso foi acontecer comigo?". Porque sim, ué. Isso basta para você saber que É desse jeito, não tem como mudar, e aí ou você se desespera, se deprime e suicida, ou você dá uma de Pollyanna e se resigna, ou você tenta pegar a situação que foi dada e tornar ela o melhor possível. Talvez por ter passado por situações em que a última opção era a única que protegia minha saúde física e mental, eu me tornei uma pessoa "terceira opção"; por isso, quando algo de ruim acontece comigo, eu respiro fundo e, por mais injusto que ache, tento não me desesperar. Ah, eu desespero. Choro, grito, amaldiçoo, tenho minhas crises - que duram dois ou três dias, e no quarto já recuperei a sanidade e comecei a pensar racionalmente sobre a situação e ver o que eu posso mudar a meu favor. E acreditem, são muitas coisas (tudo bem que pra mim é fácil já que sou linda, magra e inteligente, e as coisas geralmente são fáceis para pessoas assim, mas mesmo que você seja feia, gorda e burra ainda há esperança; quer dizer, eu acho, não sei nada sobre ser feia, gorda e burra). Às vezes há uma recaída e alguns momentos de tristeza ou nostalgia e outros momentos de raiva (que, a meu ver, são mais saudáveis que a tristeza; honestamente, eu gosto de sentir raiva - me liberta, me impulsiona), mas são aqueles momentos pequenos, que embora gerem histórias legais não representam a sua vida ou o que você sente. Porque eu tive, sim, momentos tristes - e acreditem, não foram poucos. Mas eu sou uma pessoa feliz. Dentro das minhas condições atuais, acredito ser o mais feliz possível, tirando felicidade de todas as situações em que consigo.
Por isso mesmo, fiquei de certa forma chocada ao sentir saudades, há uns dez dias. Para quem não sabe, tive um namoro-relâmpago em Outubro e Novembro, cheio de todos os clichês de relacionamentos toscos. Explico: garota que dificilmente se apaixona, cara que se apaixona por todas; cara surpreende garota, garota se apaixona perdidamente, cara não se apaixona de volta. Teria terminado em desastre completo e pulsos cortados caso a garota não fosse eu. Explico 2: eu já dei todas as cartas aqui, o cara precisa saber o meio termo entre atenção demais e de menos; caso seja demais, eu enjoo, e caso seja de menos, eu desgasto e desapaixono. Foi isso o que aconteceu, antes mesmo do fim do namoro eu já estava cansada da situação, querendo jogar tudo pro alto. Perdi a conta das vezes que escrevi sobre isso (agora já achei quatro textos em que explano meus motivos e penso em terminar tudo), mas nunca levei adiante. Em certo momento, até me convenci de que tomaria uma atitude e teria uma conversa adulta e madura - mas sou covarde, não gosto de confrontos e discussões de sentimentos me desgastam. Prefiro relevar e fingir que não aconteceu - acontece que em determinado momento fingir era quase tudo o que fazia (sou ótima nisso, sabe; já falei, sou uma atriz). Precisei conversar, dei minhas cartas às minhas melhores amigas que me convenceram de que ainda não era a hora de largar o jogo. Engraçado, não é?, você ser convencida pelas amigas de que não está na hora de terminar um relacionamento. Também não me importei com os conselhos - adorei, vou confessar. Minhas razões expostas, conseguiria relevar por mais um bom tempo, e eu já disse, sou covarde. Além disso, sabe como é, menina apaixonada fica burra - gente, eu fiquei retardada. Assim, sério, produção zero. Acontece que, mesmo cansada da situação e sentindo o sentimento ir embora, decidi que não iria desapaixonar. Não vou e ponto final - é tão difícil eu me apaixonar, POR QUE não poderia aproveitar aqueles breves momentos de adrenalina enquanto eles existissem? Segurei o sentimento antes que ele tivesse passado porta afora e continuei meio capenga, semi apaixonada, dividida entre ir embora ou falar algo bonitinho. E quando acabou, quando houve aquela conversa que botou um ponto final naquele capítulo mal escrito da minha vida, eu me surpreendi ao sentir uma perda muito maior do que havia sido. Chorei, chorei muito por dois dias inteiros. No terceiro, um ou outro rompante assombrou meu dia e, no quarto, não havia nem resquício de rímel borrado pelas lágrimas. Estava bem. Não superficialmente bem, mas bem, realmente bem. E assim fiquei - uma mistura de Flora na minha casa, Yuri, Mari e Gabe nos sequestrando e nos levando pra piscina, um pouco de assédio que sempre massageia o ego e outros fatos aleatórios que não cabem falar aqui foram o suficiente para colar de volta meus pedaços. Mantenho o que disse há dois posts atrás - estou semi quebrada, não porque esteja triste, mas porque talvez a forma como escolhi viver não funcione com as coisas que eu quero; e aí é a hora de mudar um deles, e, como amo meu modo de viver, decidi desistir de relações pretensiosamente duradouras e optar pela promiscuidade fácil e gostosa.
Que seja - tendo chorado por dois dias ou um mês, as lágrimas foram reais. Molhadas, salgadas, carregadas de sentimentos mortos e palavras engolidas, de certa forma desproporcional aos eventos anteriormente ocorridos. É claro que lágrimas sempre sucedem uma paixão mal resolvida, e eu estava apaixonada. Não de brincadeira, não superficialmente, mas realmente apaixonada, como pouquíssimas vezes me aconteceram (contaria três, agora). Embora essa terceira tenha sido como uma droga rápida e eficiente que logo domina os sentidos, não é como se algo realmente houvesse sido construído. Como já comentei com algumas pessoas, um somatório de fatos faria, supostamente, com que o fim fosse fácil - talvez até melhor do que continuar. O desgaste - ah, o desgaste era, talvez, o principal deles. Não sei o que fez desgastar tão facilmente - talvez, como uma blusa de malha ruim e tingimento de quinta categoria, o relacionamento estivesse fadado a desbotar, esgarçar e ficar feio e degradante, de forma que olhar para a blusa fazia você se lembrar das festas maravilhosas a que foi com ela, mas também fazia você encarar a verdade: ela não serve mais para uso. Depois, não é como se eu não tivesse esquecido outros caras antes - caras muito mais importantes e que me marcaram muito mais - ou como se esse terceiro (vou me referir a ele como "terceiro" de agora em diante) tivesse sido de especial importância. Se fosse escolher algum para o posto de "garoto por quem me apaixonei com especial importância" seria o segundo, por motivos que não cabe explanar aqui e agora, mas que vão além dos motivos básicos que geralmente tornam uma pessoa importante. De qualquer jeito, o fim teve sua dose sadia de alívio - sim, aquele alívio legítimo de "me-livrei-a-tempo". E teve sua dose de tristeza, que também foi legítima. E compreendi os dois dias que chorei. Deixei de compreender quando, há uns dez dias, de madrugada, senti aquela nostalgia cruel que invade os pensamentos quando você nem percebe que vai acontecer. E fiquei chocada. Como poderia, depois de tanto tempo, algo assim me causar saudades? Como sempre, o sentimento passou, mas, ontem, lendo um blog novo que descobri (e super recomendo, gente, é genial: Adorável Psicose), encontrei o seguinte parágrafo:
"Porque eu vinha de um longo período de anestesia afetiva. Conhecer a Evidência nº4 foi como tomar uma injeção de epinefrina à la Pulp Fiction. De uma vez só, eu voltei a acreditar em todas as fantasias que eu alimentava anos atrás e que há tempos havia deixado de lado. E, também de uma vez só, em pleno exercício dessas fantasias, eu me vi obrigada a reprimir todo aquele sentimento e guardá-lo de volta em algum lugar obscuro onde ninguém nunca mais haveria de mexer".
E foi como uma epifania. De repente, retirei a importância das coisas desimportantes e passei a me preocupar com as coisas reais - não sentia falta do relacionamento, não foi um primeiro namoro exemplar, além de tudo. Sentia - e ainda sinto - falta de me sentir explodindo, como já falei tantas vezes aqui. Sou barroca e gosto de pimenta, sou amiga das emoções fortes e da perda dos pensamentos, dos sentidos, da coerência. Preciso, de certa forma, disso para viver. Acontece que havia me acomodado em deixar para depois - hoje vou estudar, trabalhar, postar no Allez Glam!, amanhã parto em busca de aventuras. E quando algo assim me virou do avesso e me fez lembrar, me recusei a voltar ao lugar de onde havia partido. Tardes de estudo e séries de TV não mais me bastam (mentira. Preciso absurdamente de tardes de seriados pelo menos uma vez por semana, senão fico moody).
Mas esse fato não explicava a situação como um todo - a saudade sim, a tristeza, não. De certa forma eu sabia que estava muito mais triste por mim do que por ele - só não sabia que parte de mim estava chorando. E foi aí que eu percebi, numa outra epifania nesse fim-de-semana. Eu sempre quis ser o tipo de garota desejada. Sempre. Nas últimas duas semanas, recebi os mais variados comentários e declarações (de sexo, não de amor). Comecei a achar que eu estava passando a imagem de ser vadia demais, o que eu não sou (É SÉRIO ISSO), e então pedi pra três amigos me explicarem o porquê de eu atrair tanto nesse sentido. Eles disseram que é uma combinação de fatores - o jeito que eu falo, a minha voz, o fato de eu ter rosto de menininha e cabeça super aberta, o jeito que eu penso, o fato de eu ser muito gata e parecer ser muito boa de cama (e nem sou tanto assim, HAHAHAHA). Taí, ó. Sou a garota que os caras desejam. Gosto disso... mas não sou a garota por quem eles se apaixonam. O fato de ele não ter se apaixonado por mim feriu altamente o meu orgulho e desmanchou a forma como me construí. Amo minha personalidade, meu estilo, minha aparência, a forma como eu levo a vida. Não quero mudar e jamais cogitei a possibilidade de precisar. Aliás, também poucas vezes me imaginei como a namorada. Sempre pensei em mim como a garota com a carreira fabulosa e a vida amorosa meio aos pedaços, cheia de affairs mal começados e mal terminados que se acumulavam numa estante de escolhas para entretenimento, como DVDs. É engraçado eu pensar isso de mim, logo eu, que adoro me apaixonar; não quero viver sem isso. Mas acho que posso me apaixonar muitas vezes, por mais de uma pessoa ao mesmo tempo, e quero tudo isso; antes não queria casar, agora já quero. Quero casar por impulsidade, viver tempos ótimos e separar quando a história cansar - we may not last but we'll have fun 'till it ends se tornou meu lema, de modo que talvez venha a casar quatro ou cinco vezes, todas elas com vestido couture.
Conversando com meu amigo, ele começou a falar sobre o que fez com que ele se apaixonasse por mim, anos atrás. Foi exatamente o que o "segundo" me disse. E eu respondi "nossa, lindo - mas eu não sou mais aquela garota" e não, não sou. Ela ficou para trás, com ideias pré-concebidas e inseguranças quase pré-adolescentes, mesmo que já tivesse meus quinze anos. E foi aí que eu percebi: eu me prendo aos meus pontos fortes, porque gosto deles. Sou confortável com eles, me sinto segura sendo o que eu sei ser, os personagens que sei interpretar. Gosto da vulnerabilidade, só não gosto de demonstrá-la. Mas minhas fraquezas são muito mais interessantes que meus pontos fortes. O que volta ao ponto de que eu sou mais interessante quebrada e semi destruída...
Não importando a que conclusões cheguei e o que fazer com elas, essas epifanias foram ótimas. Continuo me sentindo bem - mentira, estou ainda melhor! Esse tipo de pseudo viagem de auto-conhecimento tem sempre efeitos impactantes nas nossas vidas, e eu gosto de pensar e refletir e escrever sobre mim... sou egocêntrica, né. Só podia ser assim. E, se fosse de outro jeito, talvez até perdesse a graça.
P.S.: todo mundo sabe que, além do Sem Malícia, eu tenho um blog de Moda em parceria com uma amiga, o Allez Glam!. Pois bem, um amigo meu foi convidado para escrever um blog de música para o Kzuka e me convidou para participar também! Acessem: Music Is - a parte mais legal é que meu primeiro post teve chamada na página principal do ClicRBS e do Kzuka! Fiquei tão feliz (: sim, eu fico feliz facilmente.
Sou um pouco Belle du Jour, o coração partido por mim mesma em mil pedaços de caleidoscópio.
Não sei amar, não sei perder, não sei viver de um jeito diferente. Não sei.
Clarissa Réos Wolff, gaúcha, 21 anos, pisciana (com um grande quê de leonina). Cursou dois anos de Design de Moda na UniRitter e atualmente cursa Comunicação Social na UFRGS. Adoraria ser atriz da Broadway.
É apaixonada por coisas demais. Livros, filmes, seriados, divas do cinema de antigamente, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Rita Hayworth, Brigitte Bardot, Anna Karina e Natalie Wood, pimenta, sushi, Coca Zero, café com chocolate, aliás qualquer coisa com chocolate, backstage, Adam Levine, Natalie Portman, Johnny Depp, Scarlett Johansson, Blake Lively, Jensen Ackles, trilhas sonoras de seriados, músicas nervosas, músicas gostosas, músicas tristes, passear sem rumo pelo centro de Porto Alegre, pelo Moinhos de Vento e pela Paulista, Beco203, Duchamp, Degas, Warhol, dançar até doerem os pés, Jägermeister, Cosmopolitan, Starbucks, livrarias, madrugadas, ficar sozinha em casa, saltos altos, sapatilhas, ouvir música a todo volume, suspense, lápis de escrever, cumplicidade, apresentar bandas novas pras melhores amigas, indicar filmes e livros, cultura inútil, fofoca de celebridade, chick lit, papelarias, personagens de livros, tumblr, mais tumblr, twitter, galerias, paixões platônicas, história de amor ou desamor, músicas lindas e tristes em volumes baixos, exageros, estrago, Barroco, homens com barba por fazer, músicos, escritores, aliás artistas em geral, John e Julian Casablancas, shows de bandas boas, narcisismo, história, história da Europa, francês, Marie Antoinette, Paris, aliás qualquer coisa ligada à França, outono, glamour, glamour decadente, inspiração, escrever, fotografia, arquitetura, moda, música, cinema, literatura, arte, ...
Duas tatuagens, por enquanto. Vícios demais em músicas, livros, filmes e seriados. Ambivalência completa. Intensidade também.
forget the horror here.
you're the one that i want
Caio Fernando de Abreu escreveu:
“Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas. Meu coração é um traço
seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo. Meu coração
é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na
janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os
apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais. Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é
saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a
história cheia de clichês. Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado,
dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul
de ouro. Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos
que sempre acabam destruindo tudo.
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de
prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela
Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também. Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura
rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel
crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.
Acesa, aceso - vasto, vivo.”
As you might have guessed, Upper East Sidders, prohibition never stood a chance against
exhibition. Is human nature to be free. And no matter how long you try to be good... you can't keep a bad girl
down.
2002 me trouxe aos blogs, com Refúgio de Calimië - com o qual permaneci até meados de 2005. Em 2006
os blogs deram lugar aos fotologs (um e dois). Em 2007 o tratamento quimioterápico fez com que retornasse aos
blogs, com Quarto de Hospital, que durou de Junho a
Dezembro. O gosto voltou, e Nobody Does It Better
nasceu - com o qual entrei para o Tudo de Blog da Capricho. Com os problemas com o servidor, mudei para cá.
"Sem Malícia" é uma expressão que costumava falar muito, sucedendo um comentário que poderia ser levado no
duplo sentido (o que acontecia quase sempre).