
2008 começou para mim no dia três de Maio - a primeira vez que eu saí depois de trezentos e quarenta e três dias de prisão (casa ou hospital). E começou bem: a festa de dezesseis anos da Bruna (minha Haley, minha Charlotte e minha Vicky), muita música e muita dança. Não é como se eu pudesse desejar outra coisa, não é? A noite serviu como promessa dos meses que seguiriam; meses de pura música e dança. E assim foi.
2008 foi um ano muito importante para mim - o melhor de todos, até agora, mesmo com alguns meses roubados. Não foi perfeito, mas o mais próximo disso que consegui chegar. Realizei sonhos e atingi objetivos, ri, chorei, me apaixonei, desapaixonei, saí, dancei, me diverti ao máximo. E cumpri bem poucas das promessas que havia feito a mim mesma - mantive talvez a única que levo a sério, para sempre: felicidade.
Espero que 2009 traga sonhos e realizações. O resto, eu consigo garantir.
Quanto às minhas promessas, a Amanda (minha Callie) acabou de me mostrar uma lista com as promessas dela (as trinta melhores resoluções de Ano Novo que eu já li). E é isso que eu quero para mim, também - e para sempre! Mas, sendo um pouquinho mais objetiva, em 2009 eu prometo...
- Investir em meu livro. Pode ser tanto a comédia romântica com cinqüentas páginas escritas no computador quanto o meu projeto que atualmente está apenas na minha cabeça. Eu amo escrever e, esse ano, prometo fazê-lo muito mais.
- Arrumar um emprego na área da moda. Pode ser até mesmo com maquiagem ou com produção - mas eu preciso arrumar um emprego.
- Convencer meus pais a me deixar botar silicone. Porque eu preciso (é sério).
- Freqüentar a academia religiosamente. Mesmo que eu não seja uma pessoa religiosa.
- CONFIAR E ARRISCAR. Porque esse é o segredo da felicidade.
E um brinde ao ano que chega, e que 2009 seja o melhor ano das nossas vidas (até 2010!).
- pauta para o Tudo de Blog.
Libellés : Meu infinito particular, Tudo de Blog


Como Sarah Bernhard
Acordei hoje quase uma hora da tarde, tendo dormido, então, apenas seis horas. Confesso: não estava nada animada para o dia que me esperava - a correria o desfile, o calor chato, a espera para fazer a maquiagem e o cabelo. A produtora havia me contatado e pedido que eu chegasse pelas 15h - o desfile só começaria às 20h; como não poderia negar e como também sabia que todo mundo acabaria chegando atrasado, resolvi aceitar a promessa de tarde de tédio e cheguei ao camarim, junto com a minha modelo (Helena Haas Reichert), as 15h40. Para minha surpresa, somente uma modelo havia sido maquiada e o camarim estava vazio; caminho livre, a Helena foi maquiada perfeitamente pela equipe super simpática e prestativa; depois, ela precisou sofrer uns puxões e o penteado ficou pronto. Não eram 16h30 e já estávamos prontas, três horas e meia de espera pela frente. Mas, nesse ponto, a fantasia já havia tomado conta de mim.
Estávamos nos camarins do subsolo do Theatro São Pedro. Os espelhos possuem lâmpadas por toda moldura, as portas são trabalhadas e a iluminação é dourada. Uma delícia - me senti a própria Sarah Bernhardt esperando para ser produzida, ou então uma personagem de O Fantasma da Ópera. A madeira forte, o cheiro de maquiagem, a incidência da luz: o ambiente era tão perfeito que poderia ter sido cuidadosamente planejado. Ao contrário: simplesmente estava lá. (e nessa hora quis morrer por ter esquecido a máquina fotográfica)
Quase 18h os camarins encheram-se de designers e modelos - fazendo maquiagem, cabelo ou colocando a roupa. Em um determinado momento, meu professor e coordenador do desfile, Felix Bressan, foi ensaiar o violino que apresentaria durante o desfile baseado na biografia de Edith Piaf. Eu e minha modelo, sentadas na escada no fundo do camarim, tínhamos a visão perfeita: de um camarim para outro, a passagem rápida de modelos e designers, fazendo fundo à cena principal - o ensaio de violino de La Vie en Rose, que logo depois ganhou voz como acompanhante. As notas do instrumento e a voz da cantora tinham uma sincronia perfeita, as palavras em francês sobrepondo-se ao burburinho que todos fazíamos.
Já tinha passado das 19h30 quando vesti minha modelo; mas todos fomos para o andar do palco apenas quando já passava das 20h, o começo do desfile atrasando elegantemente. Depois de subir e descer os dois lances de escadas que ligavam os camarins aos palcos várias vezes, finalmente subi pela última vez. E quando terminei o primeiro lance de escadas, uma porta aberta de camarim me chamou atenção. Não era o nosso andar, eu não deveria ficar por ali. Mas o camarim estava vazio, e eu me aproximei discretamente, apenas o suficiente para espiar por entre o vão da porta os objetos dispostos. Deveria ser o camarim de um dos atores da peça que faria seqüência ao desfile, o que me lembrou de que deveria subir o outro lance de escadas. Mas eu esperei apenas mais um segundo - o suficiente para a porta se abrir e eu me deparar com um lindo ator meio vestido, a camisa faltando. O olhar durou apenas um momento; logo, eu voltei-me para a escada e ele para o que quer que precisasse fazer, sem nem uma palavra. Ri meio boba, me sentindo uma personagem de um filme pega em flagra. Subi o último lance de escadas nesse transe gostoso, e então desejei boa sorte para a minha modelo e fui para a platéia, aprontando-me para apreciar o show que se seguiu.
Foi uma delícia, e eu chorei quando La Vie en Rose tocou e quando a alegoria de A Menina Que Roubava Livros subiu no palco. Aplaudi de pé o desfile de O Pequeno Príncipe, Laranja Mecânica, Assim Falou Zaratustra, e, é claro, Hell, onde a Helena brilhou na passarela. Curti o desfile inteiro, do começo ao fim - e garanto que todo mundo também. Infelizmente não fiquei para a peça - um jantar me esperava em casa. Assim, o ator permanece apenas com uma lembrança, como um mistério; ou como um personagem de um livro.
As fotos do desfile do Theatro São Pedro eu ainda não tenho (aconteceu hoje!), mas as que seguem foram do desfile anterior. Espero que gostem da minha interpretação de Hell, muitíssimo bem personificada no corpo da Helena:
(ao lado, projeto; abaixo, fotos)
P.S.: QUERO SER ATRIZ!
Libellés : Meu infinito particular, Moda é vida


presente de natal
A primeira coisa que me cruzou a cabeça foi uma viagem para Paris. Desde pequena eu sou completamente apaixonada pela França: pela língua, pelas pessoas, pela história, pela cultura, por tudo que tiver francês na bagagem. E agora com o fator moda na minha vida, tudo o que eu quero é juntar minhas coisas e me mudar para cidade-luz, chorar quando desembarcar, sentir o cheiro novo da cidade dos meus sonhos e subir na Torre Eiffel. Mas então pensei que de nada adianta ir para Paris caso meu emprego com John Galliano não seja certo, e então trabalhar com ele se torna o meu melhor presente. Meus pais provavelmente não se importariam de se atolar em dívidas caso a proposta de emprego fosse certa, então essa obviamente toma o primeiro lugar na lista. Mas... qual seria a graça de ir para Paris se meus pais estiverem atolados em dívidas? Quer dizer, todas as visitas, os restaurantes legais, os cabarets e as lojas precisam de dinheiro. Logo, ganhar na loteria é a opção mais plausível para o meu Natal perfeito. E então eu poderia aproveitar e levar meus amigos todos comigo para viver meu sonho.
Mas... se eu ganhasse aquele olhar e a resposta que eu espero, eu não me importaria em adiar minha viagem.
P.S.: gente, obrigado pelos comentários no último post. Todo mundo que leu interpretou o post encaixando-o à sua vida, e eu achei isso interessantíssimo; todas as respostas mostravam uma compreensão diferente em relação ao significado, e nenhuma delas condizia com o que eu quis dizer ou o que eu estava passando. Acredito que seja porque todo mundo já perdeu algo ou alguém, no sentido mais abrangente possível; então todo mundo se apropriou, mesmo que apenas um pouco, do significado do texto. Mas os comentários da MissTop e da Mariana me surpreenderam, porque chegaram muito perto do que eu estava passando; então eu só quero agradecer e tal. AH! E não se preocupem (todo mundo pareceu preocupado); eu estou superbem e superfeliz, me sentindo linda e maravilhosa. Mas é bom escrever sobre alguns assuntos que estão lá, embora não com freqüência ou intensidade o suficiente para afetar.
P.P.S.: mudei o layout! Gostaram?
Libellés : Tudo de Blog


Clarissa Réos Wolff, gaúcha, 21 anos, pisciana (com um grande quê de leonina). Cursou dois anos de Design de Moda na UniRitter e atualmente cursa Comunicação Social na UFRGS. Adoraria ser atriz da Broadway.
É apaixonada por coisas demais. Livros, filmes, seriados, divas do cinema de antigamente, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Rita Hayworth, Brigitte Bardot, Anna Karina e Natalie Wood, pimenta, sushi, Coca Zero, café com chocolate, aliás qualquer coisa com chocolate, backstage, Adam Levine, Natalie Portman, Johnny Depp, Scarlett Johansson, Blake Lively, Jensen Ackles, trilhas sonoras de seriados, músicas nervosas, músicas gostosas, músicas tristes, passear sem rumo pelo centro de Porto Alegre, pelo Moinhos de Vento e pela Paulista, Beco203, Duchamp, Degas, Warhol, dançar até doerem os pés, Jägermeister, Cosmopolitan, Starbucks, livrarias, madrugadas, ficar sozinha em casa, saltos altos, sapatilhas, ouvir música a todo volume, suspense, lápis de escrever, cumplicidade, apresentar bandas novas pras melhores amigas, indicar filmes e livros, cultura inútil, fofoca de celebridade, chick lit, papelarias, personagens de livros, tumblr, mais tumblr, twitter, galerias, paixões platônicas, história de amor ou desamor, músicas lindas e tristes em volumes baixos, exageros, estrago, Barroco, homens com barba por fazer, músicos, escritores, aliás artistas em geral, John e Julian Casablancas, shows de bandas boas, narcisismo, história, história da Europa, francês, Marie Antoinette, Paris, aliás qualquer coisa ligada à França, outono, glamour, glamour decadente, inspiração, escrever, fotografia, arquitetura, moda, música, cinema, literatura, arte, ...
Duas tatuagens, por enquanto. Vícios demais em músicas, livros, filmes e seriados. Ambivalência completa. Intensidade também.
Caio Fernando de Abreu escreveu:
“Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas. Meu coração é um traço
seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo. Meu coração
é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na
janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os
apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais. Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é
saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a
história cheia de clichês. Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado,
dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul
de ouro. Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos
que sempre acabam destruindo tudo.
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de
prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela
Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também. Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura
rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel
crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.
Acesa, aceso - vasto, vivo.”

As you might have guessed, Upper East Sidders, prohibition never stood a chance against
exhibition. Is human nature to be free. And no matter how long you try to be good... you can't keep a bad girl
down.
2002 me trouxe aos blogs, com Refúgio de Calimië - com o qual permaneci até meados de 2005. Em 2006
os blogs deram lugar aos fotologs (um e dois). Em 2007 o tratamento quimioterápico fez com que retornasse aos
blogs, com Quarto de Hospital, que durou de Junho a
Dezembro. O gosto voltou, e Nobody Does It Better
nasceu - com o qual entrei para o Tudo de Blog da Capricho. Com os problemas com o servidor, mudei para cá.
"Sem Malícia" é uma expressão que costumava falar muito, sucedendo um comentário que poderia ser levado no
duplo sentido (o que acontecia quase sempre).