nobody does it 

better.
mercredi 26 août 2009

De Arte e Inocência ~ 5 gossips

(quem não gosta de teorização sobre arte ou qualquer assunto um pouco mais exigente no campo do pensamento, favor pular para a segunda parte, que é a parte engraçada)

PARTE I: DA ARTE

Engraçado como, antes de eu ter História da Arte na faculdade, eu achava que o Renascimento era o mais perfeito estilo artístico; e digo perfeito no sentido conceitual, não apenas contemplativo. Pensava nas figuras de Renoir, Monet (que todo mundo no meu colégio adorava), e Van Gogh (que minha mãe sempre elogiou) e as considerava quase banais perto das imagens incríveis do Renascimento.

Não, não achava isso porque o Renascimento é limpinho, quase como um desenho, e Impressionismo desses artistas era de pinceladas aparentes e quase grosseiras. Eu gostava das pinceladas. Preferia o Renascimento por outro motivo - achava que era mais inteligente, por trazer temas tão mais interessantes, como a literatura, a religião e a mitologia, em contraponto aos temas simples do cotidiano dos impressionistas. Para que eu olharia para pessoas sem nome, tão comuns, se eu poderia olhar para coisas tão fantásticas como Paris e Helena?

Agora vejo que para os nossos olhos desinformados a arte Impressionista é fácil de se contemplar, mas difícil de se entender - porque, aos nossos olhos desinformados a arte Impressionista perde o contexto. Não percebemos que ela aconteceu logo após a descoberta da fotografia, em 1839, na França, numa época em que a reprodução mimética do Renascimento se tornava desnecessária; não percebemos o conceito que veio por trás disso. Courbet disse que o pintor só poderia pintar aquilo que já tivesse visto - então como existiriam tantos anjos em pinturas? Foi com o Impressionismo que a ideia de transmitir a sensação da cor (aquilo que faltava à fotografia) surgiu; foi no Impressionismo que as pinceladas apareceram para mostrar que aquilo não era nada além de uma pintura; foi no Impressionismo que as obras deixaram de representar e começaram a apresentar.



Eu poderia me prolongar (minha prova sobre Impressionismo teve seis páginas escritas...), mas não chegaria ao ponto a que quero chegar: a compreensão que temos e fazemos da arte Moderna e Contemporânea. Detesto gente que diz não gostar de arte Moderna. Não gostam porque não entendem - e não, nunca encontrei exceções à regra. Eu não sou uma grande autoridade em arte - acho que sei pouco, mas esse pouco me traz opiniões. E esse pouco foi o suficiente para destruir muitas das minhas verdades, então suponho o que seria destruído se eu soubesse muito...

Divagações à parte, estudei muito pouco de arte Moderna e Contemporânea - é o conteúdo que estarei estudando nesse semestre. Não quero criticar as artes anteriores, mas esse tipo de arte é mais difícil de se compreender (como foi, às mentes estruturadas pelos cânones renascentistas, de entender o Impressionismo). Nem todo mundo entende o Renascimento ou o Barroco, mas sabe apreciar; a pintura é limpa, exige técnica, tem tanta perfeição que parece te engolir. É fácil de apreciar, é fácil de contemplar, mesmo sem entender. O Impressionismo também - pode não ser tão perfeito em suas formas, mas ganha nas suas cores e delicadeza. Quem não suspira aos quadros de Degas? Eu sou suspeita para falar, eu sou absolutamente fanática por Degas; é, sim, fácil de se gostar - mas isso não o desmerece. As obras são maravilhosas - a minha preferida se encontra em Princeton, mas um dia eu vou ver ao vivo (e, caso eu seja milionária, vou fazer uma oferta irresistível e exibir a peça na sala da minha casa - ou no quarto, na intimidade, reservada apenas a minha apreciação). A arte Moderna e Contemporânea na maior parte das vezes não é tão bonita, não é tão trabalhada, não é tão detalhada... quanta gente desgosta da Pop Art por afirmar que não passa de cópia, sem nada artístico por trás?

Embora eu seja muito guiada pelas minhas impressões iniciais e subjetivas (eu gosto do quadro pela sensação que ele me passa, não pelo conceito que ele traz), eu aprendi a apreciar até os quadros que não me apaixonei, que me despertaram menos emoção ou até mesmo desgostei por me despertar emoções ruins.

Minha professora de História da Arte, maravilhosa, citou duas obras de arte Moderna:
- a primeira (e mais polêmica, na minha opinião), foi feita pelo italiano Piero Manzoni e chamada "Merda de Artista". E você pergunta: literalmente? LITERALMENTE. Consistia em uma série de 90 latas cheias de merda do próprio artista. Cada lata foi vendida a preço de ouro - cada grama de merda valia o mesmo preço do grama do ouro. E você pergunta: foram vendidas? SIM, foram vendidas.
- a segunda (e mais interessante, na minha opinião), foi feita pelo francês Yves Klein e chamada "O Vazio". Consistia em uma galeria de arte branca e completamente vazia. Ponto.
A discussão que na maior parte das vezes envolve a arte Moderna é "se tudo é arte, nada é arte. se uma gosma espermática ou um bule velho de café podem ser arte, qualquer leigo, sem o mínimo talento para a arte, poderia se perguntar: por que não eu também?". Como eu falei ali em cima, não é toda a obra de arte que vai tocar você, emocionar você, fazer você se apaixonar e pensar que aquilo, ah, aquilo sim é arte; é o mesmo com os livros, não é? Quantos clássicos aclamados você não leu e pensou que aquilo não lhe dizia nada? E isso não desmerece o livro o autor. A comparação de livros com obras de arte é infeliz, mas achei que serviria para essa situação em especial. Enfim, MOVING ON.

Curiosamente, essas obras quiseram resgatar um pensamento que já era dito por Leonardo Da Vinci - sim, renascentista: arte é coisa mental. Ou seja, ela não serve simplesmente para ser apreciada por sua beleza, mas por seus questionamentos, ideias, enigmas, enfim. Quanto de paradoxal não existe na obra de Manzoni? E quanto para se pensar não vem da obra de Klein? Admito que fiquei por horas pensando sobre o assunto depois dessa primeira aula, e não parei mais - precisei vir escrever, principalmente porque hoje visitei a exposição do museu do MARGS. É esse o tipo de arte que, para mim, é a verdadeira arte. A Monalisa é aclamadíssima, mas ela te faz viajar? Ela te faz refletir? Ela te faz questionar as tuas verdades e as tuas ideias?

E finalizo com uma teoria: a arte Moderna depende muito mais da capacidade de compreensão do observador do que do talento do artista. Por isso não gosto de quem não gosta de arte Moderna.

(e não, eu não entendo todas as obras de arte Moderna - loooonge disso, muito longe disso. Sei com facilidade dizer as que me tocam e as que não, mas não é simples decifrar a mensagem - se existe uma - ou o questionamento de todas as obras. O desafio que me é interessante)




PARTE II: A INOCÊNCIA

Então, como eu disse, eu fui na exposição do MARGS. Já posso dizer que vi ao vivo quadros de Renoir, Cézanne, Picasso, Van Gogh, Courbet, Manet, Monet, Matisse, Dali, Miró, Gauguin... e tantos outros que não lembro agora - mas acho que esses nomes são suficientes para dar uma ideia da sensação, não é? Eu e a minha mãe não queríamos mais sair da frente do quadro "Rosa e Azul", do Renoir. O que é a expressividade do rosto da menininha menor? Incrível. Incrível. E, não, a foto do computador não chega nem aos pés.

Mas não é disso que vim falar... no segundo andar do prédio estavam dispostas obras mais recentes que ainda traziam ligação com as ideias surgidas no Realismo e Impressionismo. Foi numa dessas que me deparei com um quadro de uma mulher, os seios de fora, o rosto quase coberto por um líquido lindo que refletia uma paleta de cores maravilhosa. Refletia azul claro, amarelo, lilás, rosa claro, branco... a vontade era de ficar observando o trajetório do líquido pelo rosto e pelos ombros e perceber cada cor mostrada ali.

Foi quando eu virei para a Júlia e disse:

- Júlia, olha que lindos os reflexos na água! Tem tantas cores... olha que liiiindo!

E ela, muito gentilmente, me respondeu:

- Clah, não é água.

E eu, muito ingênua e inocentemente, rebati:

- Mas claro que é, o que mais pode ser?

E ela, quase envergonhada com a minha ignorância, murmurou:

- Clah... não é água.

Foi então que eu me deparei com o título da obra - O ALVO - e percebi do que ela estava falando.

Libellés :


~ 14:40 nobody does it better.




you know you love me

i'm a little bit of everything, all rolled into one; i'm your hell, i'm your dream, i'm nothing in between

pimenta e arte

Sou um pouco Belle du Jour, o coração partido por mim mesma em mil pedaços de caleidoscópio. Não sei amar, não sei perder, não sei viver de um jeito diferente. Não sei.

you say i'm a bitch like it's a bad thing


nobody does it better

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Fuck Nicole
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Vida Nada Modelo

Antes de 2008: blog de música do Kzuka, fanfiction, outro blog, um fotolog antigo...


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first days of spring

Clarissa Réos Wolff, gaúcha, 21 anos, pisciana (com um grande quê de leonina). Cursou dois anos de Design de Moda na UniRitter e atualmente cursa Comunicação Social na UFRGS. Adoraria ser atriz da Broadway.

É apaixonada por coisas demais. Livros, filmes, seriados, divas do cinema de antigamente, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Rita Hayworth, Brigitte Bardot, Anna Karina e Natalie Wood, pimenta, sushi, Coca Zero, café com chocolate, aliás qualquer coisa com chocolate, backstage, Adam Levine, Natalie Portman, Johnny Depp, Scarlett Johansson, Blake Lively, Jensen Ackles, trilhas sonoras de seriados, músicas nervosas, músicas gostosas, músicas tristes, passear sem rumo pelo centro de Porto Alegre, pelo Moinhos de Vento e pela Paulista, Beco203, Duchamp, Degas, Warhol, dançar até doerem os pés, Jägermeister, Cosmopolitan, Starbucks, livrarias, madrugadas, ficar sozinha em casa, saltos altos, sapatilhas, ouvir música a todo volume, suspense, lápis de escrever, cumplicidade, apresentar bandas novas pras melhores amigas, indicar filmes e livros, cultura inútil, fofoca de celebridade, chick lit, papelarias, personagens de livros, tumblr, mais tumblr, twitter, galerias, paixões platônicas, história de amor ou desamor, músicas lindas e tristes em volumes baixos, exageros, estrago, Barroco, homens com barba por fazer, músicos, escritores, aliás artistas em geral, John e Julian Casablancas, shows de bandas boas, narcisismo, história, história da Europa, francês, Marie Antoinette, Paris, aliás qualquer coisa ligada à França, outono, glamour, glamour decadente, inspiração, escrever, fotografia, arquitetura, moda, música, cinema, literatura, arte, ...

Duas tatuagens, por enquanto. Vícios demais em músicas, livros, filmes e seriados. Ambivalência completa. Intensidade também.


forget the horror here.


you're the one that i want

Caio Fernando de Abreu escreveu:

“Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas. Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo. Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais. Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês. Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro. Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também. Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.
Acesa, aceso - vasto, vivo.”

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As you might have guessed, Upper East Sidders, prohibition never stood a chance against exhibition. Is human nature to be free. And no matter how long you try to be good... you can't keep a bad girl down.

2002 me trouxe aos blogs, com Refúgio de Calimië - com o qual permaneci até meados de 2005. Em 2006 os blogs deram lugar aos fotologs (um e dois). Em 2007 o tratamento quimioterápico fez com que retornasse aos blogs, com Quarto de Hospital, que durou de Junho a Dezembro. O gosto voltou, e Nobody Does It Better nasceu - com o qual entrei para o Tudo de Blog da Capricho. Com os problemas com o servidor, mudei para cá. "Sem Malícia" é uma expressão que costumava falar muito, sucedendo um comentário que poderia ser levado no duplo sentido (o que acontecia quase sempre).


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